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Economia florestal

Como em outros países com economias voltadas para a produção primária de commodities baseadas em recursos naturais, as florestas brasileiras têm sido intensamente exploradas ao longo da história e continuam a oferecer novas oportunidades para a expansão econômica.
O setor florestal brasileiro contribui com uma parcela importante para a economia brasileira, gerando produtos para consumo direto ou para exportação, impostos e emprego para a população e ainda, atuando na conservação e preservação dos recursos naturais.
De acordo com a classificação do Programa Nacional de Florestas (PNF) do Ministério do Meio Ambiente, oito cadeias produtivas exploram o patrimônio florestal: chapas e compensados, óleos e resinas; fármacos; cosméticos; alimentos; carvão, lenha e energia; papel e celulose; madeira e móveis.
Dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, aproximadamente 63,7% são cobertos por florestas nativas, 23,2% ocupados por pastagens, 6,8 % agricultura, 4,8 % pelas redes de infra-estrutura e áreas urbanas, 0,9 % culturas permanentes e apenas 0,6% abrigam florestas plantadas.
No mundo, as florestas plantadas para o uso industrial, ocupam aproximadamente 187,5 milhões de hectares, o que equivale a um país do tamanho do México. Desse total, 5,4 milhões de hectares, ou 2,9 % do total, encontram-se no Brasil, ainda que estes plantios correspondam apenas a 1 % do total florestal nacional.
O PIB Florestal responde por 3 % do PIB nacional, perfazendo um total superior a US$ 30 bilhões, com destaque de três setores: celulose e papel, siderurgia e carvão vegetal e madeira e móveis.
Com relação à exportação, o setor tem participação com cerca de 7 % do valor total, contribuindo com 9 bilhões de dólares por ano e dado ao saldo inexpressivo de importações do setor, a economia florestal tem sido, historicamente, responsável por um dos cinco maiores saldos comerciais positivos do país. Quanto à geração de empregos (diretos e indiretos), é responsável por 9% da população economicamente ativa (7 milhões de pessoas).
Graças ao domínio tecnológico da silvicultura e às vantagens ambientais, as florestas plantadas alcançam tamanho de corte entre 12 e 14 anos, onde a idade de corte para o eucalipto chega a ser de 5 a 7 anos, para algumas regiões contra períodos em torno de 50 anos em clima temperado.
Além de ser considerada uma espécie de rápido crescimento, o eucalipto produz ainda, com um menor custo, muito mais madeira por área quando comparado com os demais países. A produtividade média de madeira no Brasil alcança de 45-50 m³/ha/ano, enquanto para o Chile, Estados Unidos, Canadá e Finlândia, esta corresponde a 20, 10, 7 e 4 m³/ha/ano, respectivamente (Votorantin Celulose e Papel - VCP, 2004). O cultivo de florestas plantadas dispõe assim de uma forte vantagem competitiva.
No Sul e no Sudeste do país (Minas Gerais, São Paulo, Paraná) e no sul da Bahia, dezenas de indústrias de papel e celulose, usinas siderúrgicas e fábricas de painéis e móveis, várias delas detentoras de certificados de excelência ambiental, manejam 48 mil km² de florestas plantadas.
A atividade florestal é importante sob diversos aspectos, além do econômico. Para alguns produtos, o país ocupa lugar privilegiado no mercado mundial. Porém, as características de solo e clima e a extensão das terras brasileiras aptas à produção de madeira indicam que o Brasil poderia ocupar uma posição ainda mais relevante no cenário florestal mundial.
Entretanto, um dos maiores desafios é a conservação das florestas nativas, evitando o desmatamento irracional, visando atender a demanda por produtos de origem florestal por meio de floretas plantadas.
Eucalipto

O EUCALIPTO

Eucalipto é a designação vulgar das várias espécies vegetais do género Eucalyptus, ainda que o nome se aplique ainda a outros géneros de mirtáceas, nomeadamente dos géneros Corymbia e Angophora. São, em termos gerais, árvores e, em alguns raros casos, arbustos, nativas da Oceania, onde constituem, de longe o género dominante da flora. O género inclui mais de 600 espécies, quase todas originárias da Austrália, existindo apenas um pequeno número de espécies próprias dos territórios vizinhos da Nova Guiné e Indonésia, mais uma espécie no norte das Filipinas. Adaptados a praticamente a todas as condições climáticas, os eucaliptos caracterizam a paisagem da Oceania de uma forma que não é comparável a qualquer outra espécie, noutro continente.
A partir do início deste século, o eucalipto teve seu plantio intensificado no Brasil, sendo usado durante algum tempo nas ferrovias, como dormentes e lenha para as marias-fumaças e mais tarde como poste para eletrificação das linhas.
No final dos anos 20, as siderúrgicas mineiras começaram a aproveitar a madeira do eucalipto, transformando-o em carvão vegetal utilizado no processo de fabricação de ferro-gusa. A partir daí, novas aplicações foram desenvolvidas. Hoje se encontra muito disseminado, desde o nível do mar até 2.000 metros  de altitude, em solos extremamente pobres, em solos ricos, secos e alagados.
Atualmente, do eucalipto, tudo se aproveita. Das folhas, extraem-se óleos essenciais empregados em produtos de limpeza e alimentícios, em perfumes e até em remédios. A casca oferece tanino, usado no curtimento do couro. O tronco fornece madeira para sarrafos, lambris, ripas, vigas, postes, varas, esteios para minas, mastros para barco, tábuas para embalagens e móveis. Sua fibra é utilizada como matéria-prima para a fabricação de papel e celulose.

Flor
A primeira descrição botânica do género foi da responsabilidade do botânico francês Charles Louis L'Héritier de Brutelle, em 1788. O nome do seu género, que poderia ser traduzido do grego como "boa cobertura" faz referência à capa ou opérculo que cobre os órgãos reprodutores da flor, até que cai e os deixa a descoberto. Este opérculo é formado por pétalas modificadas. De facto, o poder atractivo da sua flor deve-se à exuberante colecção de estames que cada uma apresenta, e não às pétalas, como acontece com muitas plantas. Os frutos são lenhosos, de forma vagamente cónica, contendo válvulas que se abrem para libertar as sementes. As flores e os frutos do eucalipto são, de fato uvas .

Folha
Quase todos os eucaliptos têm folhagem persistente, ainda que algumas espécies tropicais percam as suas folhas no final da época seca. Tal como outras mirtáceas, as folhas de eucalipto estão cobertas de glândulas que segregam óleo - este género botânico é, aliás, pródigo na sua produção. Muitas espécies apresentam, ainda dimorfismo foliar. Quando jovens, as suas folhas são opostas, de ovais a arredondadas e, ocasionalmente, sem pecíolo. Depois de um a dois anos de crescimento, a maior parte das espécies passa a apresentar folhas alternadas, lanceoladas a falciformes (com forma semelhante a uma foice), estreitas e pendidas a partir de longos pecíolo. Contudo, existem várias espécies, como a Eucalyptus melanophloia e a Eucalyptus setosa que mantêm a forma juvenil ao longo da sua vida. As folhas adultas da maioria das espécies, bem como, em alguns casos, as folhas juvenis, são iguais nas duas páginas do limbo, não existindo a habitual distinção, nas folhas, de página superior e página inferior. A maior parte das espécies não floresce enquanto a folhagem adulta não aparece. A Eucalyptus cinerea e a Eucalyptus perriniana constituem duas das raras excepções.

Casca (súber)

O súber, ou casca da árvore, tem um ciclo de permanência anual, podendo as várias espécies de eucalipto agruparem-se segundo a sua aparência. Nas árvores de casca lisa, cai praticamente toda a casca, deixando uma superfície de textura plana, por vezes manchada de várias cores. Nas árvores de casca rugosa, o ritidoma persiste agarrado ao caule enquanto vai secando lentamente. Muitas árvores, contudo, apresentam diferenciação a este nível, com casca lisa no topo e casca rugosa na base do tronco. De entre as árvores de casca rugosa, podemos distinguir:

  • De casca fendida - que apresenta longas fibras que se podem destacar em peças compridas. Apresenta ritidoma espesso e com textura esponjosa.
  • De casca dura - de aspecto rugoso e profundamente fendido, o seu ritidoma aparece geralmente saturado de uma resina exsudada pela planta que lhe dá uma coloração vermelho escura ou mesmo negra.
  • Tesseladas - com a casca fragmentada em flocos distintos, formando mosaico. Os fragmentos, que vão caindo com o tempo, têm semelhança com a cortiça.
  • Em cofre - composto por fibras de curta dimensão. Apresentando, algumas, tesselação.
  • Em faixa - em que a casca sai em longas e estreitas peças, ainda que aderentes em determinadas partes do caule. Podem aparecer na forma de longas faixas, fitas resistentes ou em pedaços que encaracolam.

 

 

Géneros relacionados
Um pequeno género botânico de árvores similares, Angophora, conhecido desde o século XVIII, tem vindo a ser considerado, desde 1995, graças a evidências principalmente genéticas, um género mais próximo de algumas espécies que pertenciam ao género Eucalyptus, pelo que se decidiu criar o género Corymbia. Ainda que em géneros separados, os três grupos estão intimamente relacionados a nível genético, pelo que é perfeitamente aceitável que sejam vulgarmente designados como eucaliptos.
Eucalipto Limón
Nome Científico: Eucalyptus citriodora, Hook
Outros nomes: Lemon Scented Gum
Habitat: Austrália
Altura: 50 m
Diâmetro: 1,50 m
Densidade: 1,01
Cor: Castanho escuro
Usos: Pontes, estruturas, cabos de ferramentas, assoalhos, caixas.

Eucalipto Rojo
Nome Científico: Eucalyptus camaldulensis, Dehnh
Outros nomes: Eucalipto Fluvial Rojo, Red Gum
Habitat: Austrália
Altura: 60 m
Diâmetro: 2,00 m
Densidade: 0,74
Cor: Avermelhado
Usos: Embalagens, tambores, parques, polpa para papel.

Eucalipto Rosa
Nome Científico: Eucalyptus grandis, Hill ex Maid
Outros nomes: Flooded Gum, Rax Gum, Rose Gum, Toolur
Habitat: Austrália
Altura: 40 m
Diâmetro: 1,20 m
Densidade: 0,78
Cor: Pardo rosado
Usos: Carpintaria, parques, molduras, aglomerados, canoas, celulose.

 

 

 

Produção de Mudas
A produção de mudas pode ser de duas maneiras: sexuada (com o uso de sementes) ou assexuada (por propagação vegetativa).
Quando sexuada, deve-se considerar a disponibilidade de semente e de recipiente. A semente pode ser obtida de árvores existentes na região ou comprada em locais especializados e os recipientes devem ser sacos plásticos, apropriados ou comuns, previamente furados. Para a implantação de reflorestamento de eucalipto, é muito importante a escolha da espécie que se adapte ao local e aos objetivos pretendidos, como por exemplo:
Para lenha e carvão: espécies que dêem grande quantidade de lenha em prazo curto (E. grandis, E. urophylla, E. torilliana)
Para papel e celulose: espécies que apresentem cerne branco e macio (E grandis, E saligna, E urophylla)
Para postes, moirões, dormentes e estacas: espécies com cerne duro (para resistir ao tempo), (E citriodora, E robusta, E globulus).
Para serrarias: espécies de madeira firme, em que não ocorram rachaduras (E dunnii, E viminalis, E grandis).

 

 
 

Plantio 
É necessária a adoção de um conjunto de medidas silviculturais, como, por exemplo, a época do plantio (primavera ou início do verão, conforme a espécie), preparo do solo, adubação  (fertilização mineral em doses apropriadas) e tratos culturais destinados a favorecer o crescimento inicial das plantas em campo.
Tomando-se como exemplo o preparo para fins de cultivo de eucalipto, este tem apresentado uma ampla evolução nos últimos anos, passando desde o preparo mais esmerado até o cultivo mínimo, muito difundido e utilizado atualmente no setor florestal. Logicamente que,  quando se generaliza o uso do equipamento ou o grau de mecanização sem se levar em conta todas as variáveis e peculiaridades de cada solo, clima e topografia, a probabilidade de dispêndio de dinheiro sem necessidade e a degradação do solo são praticamente inevitáveis.
As espécies de Eucalyptus são altamente sensíveis à competição de ervas daninhas (até aproximadamente de 1 a 1 ano e meio) e também ao ataques de formigas (normalmente não suportam 3 ataques consecutivos).

Preparo do terreno
O preparo do terreno está relacionado com as características da área onde será realizado o plantio. O preparo do solo para o plantio deve ser feito de maneira a propiciar maior disponibilidade de água para a cultura, visto que o regime hídrico do solo é um fator essencial para o crescimento da maioria das espécies de eucalipto.
Geralmente as operações são realizadas na seguinte ordem:
- construção de estradas e aceiros
- desmatamento e aproveitamento da madeira
- enleiramento ou encoivaramento
- queima das leiras
- desenleiramento
- combate à formiga
- revolvimento do solo
- sulcamento e/ou coveamento
As técnicas de cultivo mínimo e plantio consorciado têm sido adotadas por muitas empresas a fim de diminuir os danos ambientais.

Espaçamento
Visando a produção de madeira para laminação, serraria e fina para papel e celulose, geralmente são utilizados os espaçamentos de 3,0 x 2,5 (1.333 árvores/ha) ou 3,0 x 2,0 (1.666 árvores/ha).
Com o advento dos plantios clonais, as empresas de celulose passaram a adotar espaçamentos mais largos (como o de 3 m x 3 m), que suprem o maior espaço aos genótipos idênticos.
Na mecanização e nas atividades de colheita, o aumento do espaçamento torna-se uma necessidade visando condições mais adequadas à produção de indivíduos com maiores dimensões, que levam a uma maior produtividade dos equipamentos.

Métodos de Plantio
O plantio pode ser realizado através de dois métodos:
- Plantio manual: consiste inicialmente de balizamento e alinhamento, abertura de covas, distribuição de mudas e plantio propriamente dito.
- Plantio mecanizado: consiste de um trator que transporta as mudas e abre a cova com um disco sulcador enquanto um operário distribui as mudas. Ao mesmo tempo, duas rodas convergentes fecham o sulco. As mudas mal plantadas são arrumadas por um operário que segue a máquina, sendo este processo utilizado para mudas de raiz nua

 
 
Tratos Culturais

Limpeza
A limpeza é realizada até que as plantas atinjam um porte suficiente para dominar a vegetação invasora e geralmente são feitas através de três métodos principais:
- Limpeza manual: através das capinas nas entrelinhas ou de coroamento e por roçadas na entrelinha.
- Limpeza mecanizada: utilização de grades, enxadas rotativas e roçadeiras.
- Limpeza química: utilização de herbicidas.
Combate às formigas
A prevenção ao ataque das formigas cortadeiras deve ser realizada constantemente,  através da vigilância e do combate na fase de preparo do solo, na qual a localização e o próprio combate são facilitados.
As espécies mais comuns na região Sul são as dos gêneros Atta e Acromyrmex, geralmente combatidas com iscas granuladas distribuídas nos caminhos e olheiros.
Replantio
O replantio deverá ser realizado num período de 30 dias após o plantio, quando a sobrevivência deste é inferior a 90%.
 

Tratos Silviculturais

Poda ou Desrama
Esta operação visa melhorar a qualidade da madeira pela obtenção de toras desprovidas de nós. O controle do crescimento dos galhos, bem como sua eliminação, é uma prática aplicada às principais espécies de madeira. Os nós de galhos vivos causam menores prejuízos que os deixados por galhos mortos. Estes constituem sérios defeitos na madeira serrada.
Ocasionalmente, as árvores também são podadas para prevenir a ocorrência de incêndios florestais e para favorecer acesso aos povoamentos, durante as operações de desbastes, inventário e combate à formiga.
São dois os tipos de desrama:
- Desrama natural: é bastante eficiente em floresta de eucalipto, sendo que nenhuma medida especial deve ser tomada a fim de promovê-la. O processo mais simples consiste em desenvolver e manter um estoque inicial denso, o que, além de manter os galhos inferiores pequenos, causa-lhes também a morte.
- Desrama artificial: o objetivo mais tradicional desta prática é a produção de madeira limpa ou isenta de nós em rotação mais curta que a exigida com desrama natural. A desrama artificial pode ser feita também para prevenir os nós soltos, produzindo desta forma madeira com nós firmes. Este esforço pode não oferecer recompensas muito valiosas, porém envolve um período de espera menor.
Desbaste
Os desbastes são cortes parciais realizados em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável. Nesta operação, removem-se as árvores excedentes, para que se possa concentrar o potencial produtivo do povoamento num número limitado de árvores selecionadas.
Para determinar a intervenção, é preciso conhecer-se o incremento médio anual e corrente da floresta. Quando o incremento do ano passar a ser menor que o médio até a idade correspondente à ultima medição, tendendo portanto a baixar a média geral da produção da floresta, este seria o ano para a sua intervenção. Esta análise é possível mediante a realização de inventários contínuos.
Nos desbastes, as vantagens em conseqüência da competição devem ser, pelo menos em parte, preservadas. Assim, num programa de desbaste, para rotações relativamente longas, o número de árvores deve ser reduzido gradativamente, porém a uma taxa substancialmente mais rápida do que seria em condições naturais.
A seleção das árvores a serem desbastadas é caracterizada da seguinte forma:
- Posição relativa e condições de copa (dominantes)
- Estado de sanidade e vigor das árvores
- Características de forma e qualidade do tronco

O principal efeito favorável do desbaste é estimular o crescimento em diâmetro das árvores remanescentes.
A variação no diâmetro das árvores induzidas pelos desbastes é muito ampla. Desbastes leves podem não causar efeito algum sobre o crescimento, embora seja possível, em razão dos desbastes pesados, conseguir uma produção constituída de árvores com o dobro do diâmetro que, durante o mesmo tempo, elas teriam sem desbastes.
Os desbastes também tendem a desacelerar a desrama natural e a estimular o crescimento dos galhos. A única vantagem disso é que os galhos permanecem vivos por mais tempo e, desse modo, reduz-se o número de nós soltos na madeira.
Métodos de desbaste
- Desbaste sistemático: Aplicados em povoamentos altamente uniformes, onde as árvores ainda não se diferenciaram em classes de copas. Aplicam-se em povoamentos jovens não desbastados anteriormente. É mais simples e mais barato. Permite mecanizar a retirada das árvores.
- Desbaste seletivo: Implica na escolha de indivíduos segundo algumas características, previamente estabelecidas, variadas de acordo com o propósito a que se destina a produção. As árvores removidas são sempre as inferiores, dominadas ou defeituosas. Este método é mais complicado, porém permite melhor resultado na produção e na qualidade da madeira grossa.

 

Exploração

Idade de corte
A condução dos talhões de eucalipto geralmente é realizada para corte aos 7, 14, e 21 anos. São 3 ciclos de corte para uma mesma muda original. De acordo com a região e o tipo de solo, o ciclo de corte poderá ser menor (a cada 5 ou 6 anos). Tudo está ligado ao objetivo da plantação de eucalipto (lenha, carvão, celulose, mourões, poste, madeira de construção ou serraria).
Limpeza da área para corte
Quando o povoamento de eucalipto de um talhão atinge a idade para o primeiro corte, deve-se efetuar a limpeza do local. A eliminação do mato ralo e da capoeira existentes na área do eucalipto facilita os trabalhos de corte e retirada de madeira. Depois da limpeza da área, mas antes de se efetuar o corte das árvores, deve-se proceder uma vistoria para controle das formigas, pois estas são muito danosas e impedem a rebrota das cepas de eucalipto.
Capacidade de rebrota das cepas de eucalipto
A rebrota do eucalipto é variável conforme a espécie. As espécies E. saligna, E. urophylla, E. citriodora apresentam boa rebrota; já as espécies E. grandis e E. pilularis apresentam má brotação.
Época de corte
A capacidade de rebrota das cepas de eucalipto varia conforme a época. Geralmente a sobrevivência dos brotos é maior quando se cortam as árvores na época chuvosa (primavera).
Altura de Corte
A altura de corte em relação ao terreno define a percentagem de sobrevivência das brotações. Deve-se cortar bem próximo do solo, deixando-se o mínimo de madeira na cepa da árvore. O corte deverá ser chanfrado ou em bisel. As espécies com boa brotação devem ser cortadas a uma altura média de 5 cm acima do solo. As espécies com baixa capacidade de rebrota deverão ser cortadas a uma altura de 10 a 15 cm da superfície do solo. Poderá ser feito a machado ou com motosserra.
Diâmetro das cepas
O vigor das brotações do eucalipto está ligado com o diâmetro das cepas. O número de brotos aumenta a medida que o diâmetro das cepas aumenta.

 
Manejo da Brotação

Limpeza das Cepas
Consiste em limpar-se ao redor das cepas de eucalipto, retirando-se a galhada, folhas, cascas, evitando o abafamento da brotação. Deve-se evitar que a madeira cortada seja empilhada sobre as cepas. A entrada de caminhão para retirada da madeira pode prejudicar as brotações. Não deve ser utilizado o fogo para limpeza da área, pois este é inimigo das brotações do eucalipto.
Gradagens
O eucalipto é exigente em solo bem preparado. Por isso, nas áreas de eucalipto em brotação devem ser realizadas gradagens entre as ruas de cepas. O uso da grade de discos elimina as ervas daninhas e poda as raízes das cepas, aumentando-lhes o vigor.
Desbrota das cepas
Quando os brotos apresentarem de 2,5 a 3 m de altura, ou seja, após 10 a 12 meses do corte das árvores, efetua-se a desbrota.
Isso deve ser feito no período quente e chuvoso, para garantir o crescimento da brotação. Conforme o tamanho da cepa deixa-se a seguinte quantidade de brotos:
Cepas menores que 8 cm: apenas um broto.
Cepas maiores que 8 cm: de 2 a 3 brotos.
Adubação para brotação
Na véspera do corte das árvores, aplica-se de 100 a 150 gramas de fertilizantes por cepa, da fórmula 10:30:10. A aplicação é feita nas entrelinhas do eucalipto, em sulco ou a lanço. As cepas têm melhor brotação.
Interplantio
Consiste no plantio de mudas ao lado do tronco de eucalipto que não tenha brotação. Por isso, de 2 a 3 meses após o corte das ávores, efetua-se um levantamento das cepas não brotadas. Identificam-se os locais para o plantio.
Plantam-se mudas bem desenvolvidas com 6 a 8 meses de idade, especialmente produzidas no viveiro. Devem-se abrir covas bem grandes, durante a estação chuvosa, ao lado das cepas mortas. O ideal é efetuar adubação de cova, a base de 150 gramas da fórmula 10:30:10.

 

Pragas e Doenças

Principais doenças abióticas do Eucalipto

 

Doenças

Causa

Ação na planta

Controle

Escaldadura do caule

A insolação do período da tarde incide na areia e atinge, por reflexão, porções basais no tronco, danificando as árvores pelo efeito provocado por temperaturas excessivamente elevadas.

A maioria das árvores afetadas permanece viva e reage a essas lesões por calejamento, formando cancros típicos. A área danificada é invadida por parasitas fracos que aumentam a lesão.

Recobrir o solo ao redor do tronco com a vegetação capinada; ou recomendam-se nestas áreas espécies que possuam casca espessa.

Geada

Frio intenso com ocorrência de geadas.

Queima da folhagem do terço basal, ou terço basal-intermediário ou de toda a copa.

Recomenda-se em áreas de ocorrência de geada o plantio de espécies resistentes.

Afogamento do coleto

Plantios e tratos culturais mal conduzidos, ou enxurradas.

Aterramento de parte do caule das mudas ou plantas jovens. Em plantas tolerantes, ocorre hipertrofia mento na porção do caule aterrada e produção de novas raízes; em plantas intolerantes, as raízes iniciais vão morrendo, as plantas ficam debilitadas e há o aparecimento de lesões necróticas causadas por patógenos fracos (Fusarium sp. e Cylyndrocladium)

Plantios e tratos culturais bem feitos em áreas sujeitas a enxurradas; construção de terraços para contenção da água.

Fitotoxidade em mudas

Em viveiros e casas de vegetação, a aplicação de adubos, defensivos, acaricidas e inseticidas.

Necroses ou manchas amareladas e esbranquiçadas nas superfícies dos limbos.

Controle na aplicação de inseticidas, herbicidas, etc.

Fogo

Temperaturas elevadas.

Tecidos da casca e câmbio são mortos ou calcinados. Podem ocorrer cancros típicos quando acontece a calcinação. Nas árvores que não morrem, ocorre a redução no ritmo de crescimento.

Controle de incêndios florestais.

Gomose

Resposta a uma agressão mecânica (estrangulamento por cipó, dano por insetos, geada, fogo, seca e ventos, fatores edafo-climáticos adversos).

Por trincas ocasionadas ou inchamento no tronco, há o escorrimento anormal de uma substância marrom.

O seu controle depende de uma proteção a agressões mecânicas.

Pau-preto (gomose mais intensa)

Reação da planta a fatores adversos do ambiente.

Gomose generalizada, coloração preta da superfície da casca de árvores adultas, resultante da exsudação de goma em vários pontos do tronco. Não causam a morte.

Evitado com o plantio de plantas resistentes a fatores adversos.

 

Ainda como doenças abióticas podem-se citar:

Déficit hídrico em eucalipto
A falta de água acarreta distúrbios fisiológicos no eucalipto, em viveiros a falta de irrigação pode levar as mudas à murcha permanente.
Sintomas
Em eucaliptos de 0,5 a 1,5 anos, há seca dos ponteiros, de galhos, e da haste principal; a necrose é em forma de V invertido em folhas ainda fixas; folhas com sintomas de deficiência mineral (clorose marrom pálida); necroses irregulares (trips); cancros pequenos; fendas e rugosidade na haste principal.
Eucalitptos com mais de 1,5 anos, são pouco afetados pelo déficit hídrico, com exceção do Eucalyptus grandis.
Em eucaliptos com mais de 4 anos, não se apresentam sintomas externos.

Solos encharcáveis
Devido à retenção de água ou ao levantamento do lençol freático, ocorre a deficiência de oxigênio para as raízes e microorganismos, elevando a concentração de gás carbônico.
Sintomas
Plantas raquíticas que morrem prematuras.
Ocorre a seca dos ponteiros em galhos e na haste principal em árvores tolerantes.
Há o lançamento de folhas anormais em árvores adultas e vários sintomas de deficiência de minerais.
Excesso de folhas nos talhões, principalmente após o primeiro corte.

Seca de ponteiros do eucalipto
Ocorre em regiões encharcadas, e onde a drenagem é insatisfatória ou onde o lençol freático é muito alto.
Sintomas
Lesões na extremidade da haste principal e dos pontos de inserção dos seus galhos e ramos; tais lesões podem causar anelamento e cancro. Esta doença é caracterizada pela inserção dos galhos com a haste principal, e pela inserção dos ramos e pecíolos.

Causas
Devido à ocorrência de um distúrbio fisiológico nas árvores de eucalipto, aparecem como conseqüência a inserção dos galhos com a haste principal, e a inserção dos ramos e pecíolos, predispondo as árvores ao ataque de fungos parasitas facultativos.

Controle
Plantio de procedências ou clones de eucalipto tolerantes à doença.

 

Principais doenças bióticas do Eucalipto

 

Doença

Características

Ação

Controle

Tombamento de mudas (damping off)
Fungo:
Cylindrocladium scoparium
Rhizoctomia solani
Pythiriumsp.
Fusariumsp.

Ocorre em locais que apresentam as características:
Elevada umidade de solo e do ar decorrentes de irrigação e chuvas muito freqüentes.
Viveiros instalados em área sombreada e solos de má drenagem
Elevada densidade de mudas por área.
Adubações orgânicas ou nitrogenadas em excesso.

Na pré emergência parte das sementes não germinam.
Anelamento do coleto.
Lesão escura nas hastes.
Queda das hastes.
Anelamento das hastes, com as mudas murchando, morrendo e secando em pé.

Técnicas especiais de produção de mudas e por meios químicos.
Produção em tubetes deve receber prioridade em relação à semeadura direta em sacos plásticos.
Fumigação do substrato com Brometo de Metila.
Em semeadura direta, recomendam-se desbastes na fase em que as mudas tem de 4 a 7 cm de altura.
Efetuar vistorias 2 vezes por semana (base e haste).

Podridão de estacas
Fungo:
Cylindrocladium sp.
Rhizoctonia sp.

Ocorre em locais que apresentam:
Elevada temperatura.
Umidade excessiva.
Material vegetal debilitado.

Lesão escura que se alastra da base para o ápice da estaca.

Fumigação do substrato com Brometo de Metila, suspensão dos recipientes para evitar contaminação vinda do chão.

Oidium
Fungo:
Oidium sp.

Ocorrem freqüentemente em época de estiagem.

Geralmente ataca em viveiros e em casa de vegetação, mas não costuma causar muita preocupação.

Manchas isoladas ou em toda planta, com aparência de talco.
Folhas com visível encanoamento.
Estrangulamento e deformação dos limbos mais novos.
Morte dos rebentos foliares.

Pulverizações quinzenais de 35 gramas de Benomil/100 litros de água ou semanais de 250 g de enxofre molhável/100 litros de água.
 
No campo, as medidas de controle são dispensadas, uma vez que só são atacadas as folhas jovens de E. Citriodora.

Ferrugem do eucalipto
 
Fungo:
Puccinia psidii

Ocorrem em locais com umidade elevada e temperaturas baixas ou moderadas.

Minúsculas pontuações verde claras ou vermelho amareladas, com posterior desenvolvimento de urédias, seguidas de coloração amarelo-gema-de-ovo.
Raramente mata as plantas, exceto quando ataca com severidade brotações novas após o corte raso.

Evitar plantios de espécies suscetíveis à doença.
Pulverizações semanais com fungicidas.
Seleção de espécies, procedências de clones ausentes de doença e que precocemente atingissem o crescimento em altura e desrama natural nos dois primeiros anos de vida.

Cancro
Fungo:
Cryphonectria cubensis

Geralmente ocorre em regiões com temperatura maior que 23oC e precipitação anual maior ou igual a 1.200 mm, sendo uma doença típica de regiões tropicais.

Mortes esporádicas e lesões basais em plantas jovens.
As plantas respondem à doença formando uma nova casca, resistente, abaixo da infectada (sapatas). A casca se desgarra do tronco sob a forma de tiras.
Cancro típico, que se  caracteriza por uma lesão margeada por calos, resultando em lesão profunda, matando o câmbio.
Quebra das árvores pelo vento à altura das lesões.

Na resistência interprocedência, o reflorestamento deve ser feito com procedências moderadamente ou altamente resistentes. Na resistência intraprocedência, são feitas plantações adultas pesadamente infectadas de modo natural.
Recomenda-se a utilização do maior número de clones possíveis nas plantações clonais, evitando estreitar demasiadamente a base genética.

Fungo:
Corticium salmonicolor

Ocorre em ambientes com precipitação anual de 1200 a 1500 mm.
Ataca plantas fisiologicamente debilitadas e que se encontram inadaptadas ecologicamente.

Formação de um denso micélio cor-de-rosa, que representa a sintomatologia típica da doença.
Os órgãos atacados se ressecam e perdem a sintomatologia característica da doença, resultando em áreas necrosadas, escuras e com calos.

Calda bordaleza.
Utilização de espécies resistentes à doença E. Deglupta e E. torreliana

Estromas negros
Fungo:
Hypoxylon mummularium
Hypoxylon stygium

Interferem negativamente na qualidade da celulose produzida, isenta de sujeira, pois os constituintes químicos do processo Kraft não conseguem dissolver os estômatos negros.

É caracterizado pela presença de estromas negros em crostas irregularmente elíticas, de marrons a negras, superfícies rugosas.

Após o abate das árvores, consumir a matéria-prima o mais rápido.
O local de estocagem deverá ser bem drenado, limpo e capinado, e a estocagem, no máximo de tempo de 2 meses. Manejar o pátio de forma que se utilize a madeira com no máximo 3 meses de estocagem.
Limpar o pátio de forma a diminuir a quantidade de inóculos iniciais de fungo.

Mancha da folha

Outra doença biótica do eucalipto é a mancha da folha, a qual apresenta as seguintes características conforme o fungo que a ataca:
Culindrocladium sp. e Coniella fragarie: inicialmente apresentam colônias esverdeadas e, posteriormente, azuladas. Ocorrem em clima tropical em épocas chuvosas, atacando principalmente as espécies E. dunnii, E. grandis, E. Saligna. Provoca perdas da fotossíntese (local transparente).
Phaeoseptoria eucalypti: inicialmente ocorrem manchas marrom arroxeadadas agrupadas por todo limbo; posteriormente salpiques negros pela folha, até que esta fique completamente necrosada. O controle é realizado com pulverizações químicas com Mancozeb.
Aulographina eucalypti: ocorrem manchas de marrons a pretas circularescoriáceas, pontuações negras e calosidade. Ocorre em regiões quentes, atacando principalmente as espécies E. saligna, E. globulus, E. viminalis. Não há controle.
Altenaria tenuissima: inicialmente manchas marrons avermelhadas e irregularmente circulares, contornadas por halo marrom vermelho, no centro amarelo claro, ocorrendo de 1 a 20 manchas por folha. Ocorre em regiões quentes, atacando principalmente as espécies E. alba, E. grandis, E. globulus. O controle é realizado através de adequado suprimento de macro e micronutrientes e pulverização com Mancozeb.
Trimmatostroma excentricum: manchas marrons escuras, coriáceas e várias por folha. Em E. Citriodora.
Micosphaerella sp: manchas marrons claras, coriáceas e salpicadas de negro, no viveiro e em campo, irregularmente circulares. E. grandis, E. camadulensis.
Cercospora sp: ocorre em mudas passadas, maduras, manchas retangulares e irregulares. E. grandis, E. dunnii.

 
 

Valor da madeira do Eucalipto

E em relação a preços do eucalipto, varia muito em função do tempo sendo que aos sete anos o valor em média é de R$35,00 o m³. Se o corte for feito aos doze anos ele é considerado madeira de lei e pode valer até R$90,00 o m³.
Fonte: 27/11/2007 por Deuzivan Gomes Almeida, www.madeiratotal.com.br/forum/vis.asp?Cod=187&Tem=9 .